. Cara do Brasil ( O Espetáculo )
( O Disco )
( As Letras )
( O Espetáculo )
. O espetáculo se passa como um filme imaginário que tenha as canções como sua trilha sonora. A visão de mundo do artista, suas emoções, são enviadas ao público através das imagens que compõem a arquitetura da sua obra.

O poema de Celso Viáfora hoje passa mais pela captação da imagem do seu mundo emocional do que pelo exercício literário, como já foi no passado. A partir daí construiu-se um roteiro que começa onde termina o trabalho anterior, como continuidade de uma obra que se transmuta para uma dimensão nova, no reino do fantástico, do universal.

Tudo começa no Rio de Janeiro, sob o vermelho e branco do Salgueiro, cores que ultrapassam o amor pelo pavilhão da escola e entra no campo simbólico do sangue novo que rega os caminhos que vai percorrer a seguir. Num processo de desconstrução o Rio vira Sertão (que com o Glauber virou mar...) e a seca pós-ressaca, no sentido mais amplo, remete aos sons nordestinos, onde o artista vai buscando o caminho do coração, procurando entender as suas perdas e chegar a sua essência, sua descoberta do homem interior.

Nessa viagem sem volta, o artista revê sua cidade e, numa tomada aérea, faz bater seu coração paulistano, captando os arquétipos que dão a São Paulo a sua cor e o seu clima: a ternura e a violência; a transgressão e a tradição; a doida e a nona, a cidade vestida à luz do sol, atirando o vestido pra platéia quando chega a lua...

Viaja pelos sons paulistas, das mãos calejadas dos ancestrais que aprenderam a pulsação da vida através do baque do pilão dos tempos do café. E a todos pede a benção apra prosseguir mundo afora, seguindo o som que vem do vento e o ritmo do coração.

Assim se constrói o seu auto-retrato. Todas as imagens se fundem numa síntese do seu país, onde a notícia é o anverso da percepção; onde a história é mais verdadeira num baile funk ou num samba-enredo; onde a heroína dos novos tempos é Dona Dadá (nova musa, velha professora aposentada pelo MEC que vira DJ de baile funk), redescobrindo, quinhentos anos depois, um Brasil que Pero Vaz de Caminha não previu.

TULIO FELICIANO
Diretor Artístico
. CD roteiro, direção e iluminação: TULIO FELICIANO

voz, violão e direção musical: CELSO VIÁFORA

contrabaixo: ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO

sopros: PROVETA

percussão: GUELLO e THÉO DA CUÍCA

bateria: EDUARDO RIBEIRO