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Na terça-feira do carnaval de 2000, Ivan Lins ligou para Celso Viáfora e o encontrou ali pertinho, no Rio de Janeiro, para onde viera afim de, mais uma vez, desfilar no Salgueiro, a escola do seu coração (aliás, do coração de ambos). No telefonema, o carioca convidou o paulista a subir a serra, até Teresópolis, para conhecer umas melodias novas que vinha compondo.
Nascia, ali, a parceria que, seis anos e perto de quarenta músicas depois, tem um primeiro pedaço reunido nesse disco, criado a pedido do mercado japonês e lançado no Brasil por imposição da beleza que dele resultou.
São onze canções, entre baladas, bossas e sambas. Dez assinadas pela dupla. A única que foge a regra, Deus de Deus, escrita somente por Viáfora, entrou no disco a pedido de Ivan que, no seu único solo vocal, dá à canção uma das interpretações mais emocionadas e comoventes dos últimos tempos.
Três são absolutamente inéditas: Duas e Quinze, samba em homenagem a São Paulo (“Duas e quinze eu ouço cantar um galo / meio empurrando a noite pro sol nascer / Faz um silêncio de ensurdecer / Ninguém para aparecer / Saudade dá de você, São Paulo...”; Todomundo, um verdadeiro hino à “compadraria” e à amizade, barro de que os parceiros se valem para compor toda a obra (“Estamos juntos, parceiro / nessa viagem do trem brasileiro / E vamos indo / pegando apego / um pouco índio / um pouco branco / um pouco negro...”), ambas cantadas pela dupla, e Encontro dos Rios, um solo de Viáfora acompanhado apenas pelo piano de Ivan. Outro solo do paulista, em outra gravação inédita, é A Cor do Pôr-do-Sol, anteriormente cantada por Ivan no disco que levou o nome da canção e que, agora, vem envolvida num clima neo-bossanovístico, sobre programação eletrônica criada por Alexandre Moreira.
Completam o repertório do CD: Diplomação, na voz da dupla e do grupo MPB-4; Emoldurada, só com Celso (as duas pinçadas do disco “Basta Um Tambor Bater”); Veneziana e Nada Sem Você, ambas na voz de Viáfora; Atlântida, voz de Viáfora acompanhada pelo piano de Ivan Lins; e Rio de Maio, cantada pelos dois (essas quatro últimas trazidas do disco “Palavra!”).
O trabalho vem todo cercado por uma constelação de grandes músicos: tem violões de Roberto Menescal, Leonardo Amuedo e Carlinhos Sete Cordas ; baixos de Arthur Maia, Sizão Machado, Jorge Hélder e Dunga; cavaquinhos de Mauro Diniz e Fred Camacho; teclados de José Lourenço e Fernando Merlino; baterias de Téo Lima, Chocolate e Jorge Gomes; percussões de Gordinho, Belôba, Pirulito, Felipe de Angola, Marcelo Pizott, Bira Show e Alisson Lima; sopros de Marcelo Martins, Jessé Sadoc, Dirceu Leite, Roberto Marques; todos capitaneados pelos arranjos de Amilson Godoy (cordas), Leonardo Amuedo, Sacha Ambach, Dunga, Ivan Paulo, Alexandre Moreira, Jay Vaquer, Ivan Lins e Celso Viáfora. A direção de voz leva a assinatura de Jane Duboc.
Ou seja: trata-se de um disco que faz jus à letra de Todomundo: “Sou Associação Esporte Clube Todomundo eu sou! / E vamo’ que vamo’, todo mundo, azar de quem não for”.
Este é mais um lançamento da Jam Music, com distribuição da EMI Music, para quem for da Música.
Azar de quem não for.

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